sexta-feira, 22 de junho de 2012

Conflito de gerações nas empresas




Consultor e especialista em conflitos de gerações no mundo corporativo, Sidnei Oliveira aproveitou suas próprias experiências para aprofundar os estudos à respeito da nova geração de profissionais, com o livro Geração Y, o nascimento de uma nova versão de líderes, da Integrare Editora.  A seguir, entrevista que fiz com ele, publicada na Revista Agitação, n.° 93:

O senhor acha que as áreas de Recursos Humanos precisam conhecer a fundo as características da geração Y?
As empresas estão bastante desatualizadas nisso. Nos últimos 30 anos, vinham de um processo estabilizado de gestão, focado na possibilidade crescente de carreira. A geração Y chega com outro comportamento, pois o modelo de carreira estruturada não serve mais para eles. Eles querem atingir cada vez mais cedo cargos de liderança e flexibilidade de horários. E as empresas que não estiverem preparadas para isso, terminam com grande taxa de turn-over (rotatividade). 

Mas o que esses jovens podem oferecer às empresas para exigirem postos de destaque tão cedo?
Os jovens têm mais intimidade com os avanços tecnológicos, já que nasceram nesse cenário. Tem uma carga de informação absolutamente inédita com os estímulos da net e da televisão. São mais versáteis, falam línguas estrangeiras – alguns com vivência lá fora – são bem formados, com cursos de MBA ou pós-graduação, e querem oportunidade para mostrar sua competência. Nas minhas consultorias, eu digo aos líderes: dêem oportunidades de gestão aos jovens de talento. Mesmo se eles errarem, é importante que convivam com a experiência. O Dunga abdicou de dois talentos para a seleção brasileira – Paulo Henrique Ganso e Neymar – que podem ser fundamentais na próxima Copa. E chegariam em 2014 bem mais experientes. Deixem eles assumirem e errarem. É assim que se aprende.

Essa postura causa conflitos de gerações nas empresas?
Estamos vivendo um momento em que a expectativa de vida aumentou bastante. Anteriormente era comum que o funcionário com 50 anos se preparasse para a aposentadoria. Hoje é apavorante para esse profissional perder o emprego. Então ele volta a estudar, procura cursos de qualificação e sabe que tem de permanecer competitivo, pois a empresa é focada no resultado. E isso cria uma situação nova nas empresas, porque o jovem de 25 concorre hoje com o “jovem” de 45, que busca até em ginástica e cirurgias plásticas uma imagem de juventude.

(Cláudio Barreto)

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