Consultor e especialista em conflitos de gerações no mundo
corporativo, Sidnei Oliveira aproveitou suas próprias experiências para
aprofundar os estudos à respeito da nova geração de profissionais, com o livro Geração Y, o nascimento de uma nova versão de líderes, da Integrare Editora. A seguir, entrevista que fiz com ele, publicada na Revista Agitação, n.° 93:
O senhor acha que as
áreas de Recursos Humanos precisam conhecer a fundo as características da
geração Y?
As empresas estão bastante desatualizadas nisso. Nos últimos
30 anos, vinham de um processo estabilizado de gestão, focado na possibilidade
crescente de carreira. A geração Y chega com outro comportamento, pois o modelo
de carreira estruturada não serve mais para eles. Eles querem atingir cada vez
mais cedo cargos de liderança e flexibilidade de horários. E as empresas que
não estiverem preparadas para isso, terminam com grande taxa de turn-over (rotatividade).
Mas o que esses jovens
podem oferecer às empresas para exigirem postos de destaque tão cedo?
Os jovens têm mais intimidade com os avanços tecnológicos, já
que nasceram nesse cenário. Tem uma carga de informação absolutamente inédita
com os estímulos da net e da televisão. São mais versáteis, falam línguas
estrangeiras – alguns com vivência lá fora – são bem formados, com cursos de
MBA ou pós-graduação, e querem oportunidade para mostrar sua competência. Nas
minhas consultorias, eu digo aos líderes: dêem oportunidades de gestão aos
jovens de talento. Mesmo se eles errarem, é importante que convivam com a
experiência. O Dunga abdicou de dois talentos para a seleção brasileira – Paulo
Henrique Ganso e Neymar – que podem ser fundamentais na próxima Copa. E chegariam
em 2014 bem mais experientes. Deixem eles assumirem e errarem. É assim que se
aprende.
Essa postura causa
conflitos de gerações nas empresas?
Estamos vivendo um momento em que a expectativa de vida
aumentou bastante. Anteriormente era comum que o funcionário com 50 anos se
preparasse para a aposentadoria. Hoje é apavorante para esse profissional
perder o emprego. Então ele volta a estudar, procura cursos de qualificação e
sabe que tem de permanecer competitivo, pois a empresa é focada no resultado. E
isso cria uma situação nova nas empresas, porque o jovem de 25 concorre hoje
com o “jovem” de 45, que busca até em ginástica e cirurgias plásticas uma
imagem de juventude.
(Cláudio Barreto)
(Cláudio Barreto)


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