A falta de profissionais qualificados é um dos gargalos do
desenvolvimento e, agora, se manifesta mais agudamente em alguns segmentos da
indústria. Uma pesquisa realizada pela Fundação Dom Cabral mostra que os
principais desafios para a
contratação de funcionários hoje são a escassez de profissionais capacitados
(67%) e a deficiência na formação básica (56%) – tudo consequência da péssima
qualidade do ensino básico. É uma situação inusitada e paradoxal,
já que, paralelamente à fartura de
oferta (com milhares de cargos vagos durante meses, à espera do perfil
adequado), ainda persiste alto índice de desemprego entre jovens de 18 a 24 anos.
Executivos afirmam que muitos de seus colaboradores efetivos
têm dificuldade para compreender o
manual de operação de uma máquina, pela incapacidade de interpretar um texto em
português – aliás, deficiência constatada em todas as avaliações de desempenho
de alunos. Para contornar o problema, muitas empresas investem na formação básica dos funcionários – dedicando em média de 12 a 18 meses a essa etapa de
treinamento. O custo financeiro para nivelar
competências e conhecimentos da equipe chega a 30% do total investido na
formação de mão de obra, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Essa é uma crise anunciada e, portanto, está mais do que na
hora de se realizar um trabalho conjunto do poder público com a sociedade para que a educação se torne efetivamente
prioridade, até mesmo para não comprometer
a oportunidade de crescimento que o mercado globalizado oferece atualmente ao
Brasil.
(Cláudio Barreto)



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