quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Apagão de mão de obra na indústria



A falta de profissionais qualificados é um dos gargalos do desenvolvimento e, agora, se manifesta mais agudamente em alguns segmentos da indústria. Uma pesquisa realizada pela Fundação Dom Cabral mostra que os principais desafios para a contratação de funcionários hoje são a escassez de profissionais capacitados (67%) e a deficiência na formação básica (56%) – tudo consequência da péssima qualidade do ensino básico. É uma situação inusitada e paradoxal, já que, paralelamente à fartura de oferta (com milhares de cargos vagos durante meses, à espera do perfil adequado), ainda persiste alto índice de desemprego entre jovens de 18 a 24 anos.
Executivos afirmam que muitos de seus colaboradores efetivos têm dificuldade para compreender o manual de operação de uma máquina, pela incapacidade de interpretar um texto em português – aliás, deficiência constatada em todas as avaliações de desempenho de alunos. Para contornar o problema, muitas empresas investem na formação básica dos funcionários – dedicando em média de 12 a 18 meses a essa etapa de treinamento. O custo financeiro para nivelar competências e conhecimentos da equipe chega a 30% do total investido na formação de mão de obra, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Essa é uma crise anunciada e, portanto, está mais do que na hora de se realizar um trabalho conjunto do poder público com a sociedade para que a educação se torne efetivamente prioridade, até mesmo para não comprometer a oportunidade de crescimento que o mercado globalizado oferece atualmente ao Brasil.
(Cláudio Barreto)

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